Genoma, Microbioma ou segundo genoma? Descubra o bê-à-bá do seu intestino

Se você, assim como eu, começou a fermentar porque acredita que a alimentação é uma das principais características quando se trata de qualidade de vida, precisamos falar sobre projeto genoma humano. Aliás, você sabe o que seria o genoma humano? Ele é o conjunto de toda a sequência de DNA que nós temos, tal sequência é a responsável pelos códigos que irão sintetizar uma determinada proteína que terá uma função específica no nosso corpo.


Para sequenciar todas as letrinhas do projeto genoma humano, a comunidade científica tinha uma expectativa de estudo duradouro e de alto custo pois acreditava-se que o nosso genoma seria extenso e bastante complexo, mas o corpo humano surpreendeu mais uma vez... O investimento tanto em tempo quanto em dinheiro foi menor que o esperado e constataram que o nosso genoma é ridiculamente pequeno, de forma que uma gramínea de arroz possui um genoma maior que o nosso. Inclusive não só o dela, deixo aqui uma curiosidade pra vocês: sabiam que o maior genoma sequenciado é de uma ameba?


Agora a primeira dúvida que surge é por que então somos tão complexos? Lógico que hoje sabemos que nossas funções não são realizadas apenas pelo tamanho do nosso genoma e sim por combinações de letras reconhecidas e traduzidas em proteínas, mesmo assim isso ainda é muito pouco para o nível de complexidade que existe em nós. Por isso, quando os cientistas se depararam com a realidade do nosso genoma, eles foram buscar respostas no nosso microbioma, conjunto formado por 100 trilhões de bactérias que habitam nosso intestino e são importantíssimos para nossas funções vitais. A partir daí eles sequenciaram o genoma dos microrganismos que vivem dentro de nós, e assim tentar elucidar certas questões. Foi aí que um novo mundo se abriu!

Hoje nós sabemos que as funções do nosso corpo são controladas também por interação genética entre o nosso genoma e o das nossas bactérias irmãs. Nosso intestino, que já foi um órgão completamente esquecido, atualmente é alvo das principais pesquisas científicas relacionadas às doenças do século XXI, como depressão, ansiedade, obesidade e doenças autoimunes.


Para que o nosso corpo funcione de maneira controlada, o nosso intestino precisa ser habitado por bactérias específicas, saudáveis e felizes. O que eu quero dizer com isso? Para que nosso intestino seja povoado por esses seres, precisamos nos alimentar de maneira correta para que o ambiente seja ideal para a sobrevivência das bactérias boas, os probióticos. O consumo de álcool, por exemplo, exacerba uma inflamação no microbioma, já quando nos alimentamos de vegetais fermentados, ocorre o oposto, pois temos uma diminuição das inflamações no intestino graças aos probióticos oferecidos por esse tipo de alimento, isso também ocorre quando nos alimentamos dos demais vegetais.

A ausência ou excesso de certas bactérias do intestino, seja por presença de bactérias patogênicas ou não, ocasiona o que chamamos de disbiose. Embora ainda estamos no início para entendermos exatamente como tudo isso ocorre, a disbiose começa a entrar como um fator importante no desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2, obesidade, síndrome metabólica, doença de Crohn e colites ulcerativas.


Isso só nos faz observar um movimento cada vez mais forte através da ciência: somos o que comemos. Por isso, é tão importante educar nossa população a se alimentar de forma mais saudável, consumindo produtos naturais, principalmente de vegetais, e excluindo da dieta produtos inflamatórios, como a carne, a lactose e os produtos industrializados. Seja parte dessa mudança, entre para o nosso grupo de fermentadores e vamos transformar vidas através da alimentação.

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